sexta-feira, 16 de março de 2012

A HOPLIAS É "CEGUETA"?



Olá meu povo bão, mas bããããão sô!
Resolvi entrar neste assunto sobre a visão da nossa querida HOPLIAS apenas pra ilustrar e mostrar que às vezes quando a bocuda erra os botes, talvez ela esteja apenas analisando a situação e não porque é CEGA!! rsrsrsrs


A traíra tem excepcional visão, inclusive noturna, e embora seu cérebro seja diminuto, ela possui uma incrível habilidade para perceber movimentos, supostamente 40 vezes superior à habilidade humana (de outros predadores, dentro e fora d‟água, também). 

Se a isca se mexe, a traíra a entende como viva e apetitosa e “mete o dente” nela (a traíra não é seletiva em seu cardápio, basta estar vivo, isto é, se mexer, e parecer caber em sua bocarra. Em sua dieta habitual, figura em primeiro lugar os peixes menores, inclusive traíras com metade do comprimento de seu corpo passam em sua boca. Em segundo lugar, rãs e insetos grandes e depois, se a fome bater, peixes que não passam em sua boca...).

Pode parecer que um lambari não se mexa quando colocado no anzol, mas sua boca abre e fecha para respirar, assim como suas guelras... mesmo que estas não sejam chamativas. Como as iscas artificiais possuem movimento exuberante, barulho (“rattlin”) e cor, não é por acaso que as traíras as adoram.

O refugo é quando a traíra, bem como outros peixes, reconhecem a isca e dão meia volta pouco antes de “bocarem” a isca! Quando um peixe ataca uma isca artificial e se dá mal, ele memoriza a situação e a evita, mas como ele é “burro”, podemos enganá-lo facilmente, trocando apenas a cor da isca (isto, quando ele não ataca a mesmíssima isca...). Passados alguns dias ou semanas, ele esquece do ocorrido, e se esse estímulo não for constante, volta a atacar a mesma isca.

“Rattling”, encastoamento, distorcedor, cor exuberante e ação excessivamente errática podem ajudar o peixe a “reconhecer” a isca. Uma isca que simule um bagre ou uma traíra será abordada com mais cuidado, sendo mais fácil acontecer um refugo!


Como a traíra é um predador solitário, “ territorialista ” , e “canibal”, não é comum encontrarmos duas delas grandes, juntas, e como ela prefere caçar nos limites entre ao amanhecer e ao escurecer (ao menos antes de escurecer de vez, aí ela dá uma volta ou se enfia na vegetação). 

Podemos imaginar porque as maiores geralmente são pegas com as artificiais, embora nada impeça que a isca viva funcione com qualquer tamanho de traíra. Mesmo assim, não se esqueça de que uma isca artificial parece ainda mais viva e chamativa.

Em suma rapaziada: A Hoplias pode ser maluca por qualquer coisa que se mexa na flor d'agua, mas garanto que depois de um tempo ela começa a analisar a isca e acaba sumindo do nada e seu troféu, quem sabe, suma aquele dia, e tudo por causa da tua ÓTIMA VISÃO!


Referência de texto e agradecimento: Moacyr Sacramento 
(Manual das Grandes Traíras)