segunda-feira, 19 de março de 2012

O ATAQUE VORAZ DA HOPLIAS!



Olá povo do meu campeão do meu rincão boiadero sô!
Neste tópico irei abordar e tentar explicar um pouco sobre o tão famoso e EXPLOSIVO bote da traíra e como ele procede para tentar evitar o mínimo de perda possível na hora da fisgada, principalmente ao pescar com frogs na superfície.


A traíra tem a sua própria leitura das águas, ou melhor, antes de tentar comer sua presa, ela avalia a chance de “se dar mal” e evita gastar energia à toa, ainda espantando outras vítimas potenciais! Portanto, não é a toa que a traíra é o predador que mais e melhor avalia sua chance de sucesso em um ataque, um ataque mal sucedido pode estragar o “pesqueiro da traíra”.
Quem está acostumado a pescar em um mesmo local certamente observará que a situação (o exato local, o trabalho da isca, a forma do ataque, e horário) em que a traíra ataca é repetitiva. Tanto é assim que observei que existem basicamente alguns momentos e formas de uma traíra atacar:


Preparação: a traíra atenta para a possibilidade de “se dar bem” com um ataque em
determinada direção (onde sua isca passa repetidamente), se vira para este lado e nada bem devagarzinho para a beirada da vegetação onde nossa isca passou, mas pára aí. Ela se limita à espreita sem sair da sombra que a oculta. Na cabeça do predador, a isca passando repetidamente no mesmo lugar parecerá com um cardume, e ela não desconfia que seja apenas uma única isca. Não é comum pegar a traíra no primeiro lançamento “perfeito” (lançamento que passou onde nós planejamos, embaixo da vegetação e bem na cara da traíra), pois ela sempre observa e se prepara para depois atacar (exceto na escuridão, quando o momento pode não acontecer).


Posicionamento: a traíra sai de onde está (escondida, oculta, “paradona” à espreita...) em trajetória quase perpendicular à trajetória da isca, alcançando sua “zona cega” e preparando-se para a aproximação.

Observação: a zona cega de um lambari (e de outros peixes) é atrás e abaixo deste (por causa da posição de seus olhos). Este momento se resume na traíra ir para esta zona cega. Normalmente, ela não irá tentar atacar uma presa se ela passar a mais de 1 metro, a não ser na escuridão absoluta, quando esta “janela de ação” pode se alargar para uns 2 ou mais metros.


Aproximação: furtiva, lentamente a traíra se aproxima de sua presa tentando não ser vista (mantendo-se na zona cega).


Bote: a traíra desfere um ataque rápido, e morde arrancando um pedaço da vítima, se esta não couber inteira em sua boca. Notável o uso constante da sucção neste momento, sugando a vítima para dentro da boca.
Simplesmente dando um bote, se sua presa passar “na cara”, a tal distância que a aproximação seja dispensável. Este ataque ocorre quando a presa se aproxima demais, pois neste caso a traíra prefere iniciar o ataque antes que seja percebida e sua presa inicie uma fuga. 

Neste caso, o ataque pode ser desferido por qualquer lado, embora exista uma clara propensão a atacar a cabeça, pois será pouco útil uma tentativa de fuga da presa. O encastoamento pode interferir, causando uma má ferrada por fora da boca ou no “lábio” do peixe (a traíra se sacode e foge, o mesmo que ocorre com as pequenas). Como esta forma de ataque ocorre mais durante o dia, temos mais uma razão para pescar a noite ou ao crepúsculo. 

O macete é evitar colocar a isca tão perto assim da traíra, comece jogando um pouco mais longe (permitindo a traíra se preparar para atacar) e vá progressivamente lançando cada vez mais próximo da traíra até obter uma ação.


Por baixo: Aproximação junto ao fundo, geralmente por usar a sombra inclinada da vegetação, e o bote em direção ascendente (ligeiramente por trás). Geralmente ocorre no lado sombreado (sombra dentro d‟água) da vegetação. Ocorre mais durante o dia (podendo ocorrer sob luar, ou em lugares meio-profundos), aliás, esta forma de atacar se explica pela sombra inclinada da vegetação (dentro d‟água, no lado da moita oposto ao Sol ou Lua), que a traíra aproveita para evitar revelar sua presença prematuramente ao bote (de dia, a traíra tenta se camuflar para poder se aproximar). Este ataque permite ao predador uma perfeita visão da silhueta da presa, com o céu como fundo, mesmo que haja grande diferença de profundidade entre presa e predador (muitos peixes predadores usam este ataque pelas mesmas razões).
Por ferrar apenas na garatéia ventral, pode deixar a traíra escapar (convém usar um alicate de contenção para retirar o peixe d‟água).


Posicionando-se por trás. “FASE DA APROXIMAÇÃO”: dirigindo-se para trás de sua presa a uma distância suficiente para não ser percebida neste nado lento (buscando ficar na zona cega de sua presa) e o “BOTE”: quando a traíra nada na sua velocidade máxima, e abocanha (sugando) sua presa. Pode ocorrer durante o dia quando à distância para o bote é pouco menor que a distância em que a isca passa, e quando a isca passa em profundidade considerada ótima (uns 40 a 60 cm, na cara do peixe!), e é o ataque que mais ocorre na escuridão (na escuridão, a traíra tenta fazer com que seu ataque seja rápido, antes que a vítima se vire e olhe para trás). É a melhor forma de ataque para uma dupla ferrada (quando a traíra engole a isca), e a isca ideal para este ataque é uma “shallow runner” (isca alongada de meia-água) por ser o tipo de isca mais facilmente engolida no ataque por trás.

Resumindo a prosa moçada: Por isso que a nossa traíra é conhecida como DORME-DORME em alguns lugares do Brasil, por ela ser meio lenta para atacar ou demorar um pouco mais do que outros peixes predadores, mas quando seu "gatilho assassino" é acionado, sai de baixo e coitada da tua isca pois ela vai insistir até o fim enquanto não conseguir morder com gosto o pobre plug ou frog artificial que você estiver usando e levar pras profundezas do açude.



Referência de texto e agradecimento: Moacyr Sacramento 
(Manual das Grandes Traíras)