sexta-feira, 23 de março de 2012

A TRAÍRA "MORA" SOB PLANTAS AQUÁTICAS, SIM SENHOR!

Olá meu povo do meu rincão do sertão sertanejo sô!
Hoje vou abordar esse tópico que tava querendo explicar pra vocês faz tempo mas estava sem tempo pra começar a "datilografar", mas como hoje to ATAREFADO ATÉ O ZÓIO (hihihihiihihhi), tirei um tempinho pra falar um pouco sobre plantas aquáticas, pois é um assunto de EXTREMA importância asssimilar pois, traíra e vegetação aquática, é sinônimo de peixe explodindo na flor dágua, então, sigam-me os bons!

Na maioria das vezes estamos pescando e nem se quer sabemos o tipo da vegetação que se encontra ali, pra quê elas estão ali e principalmente se a traíra gosta de viver ali, mas garanto a todos que onde tem vegetação aquática e um "buraco" entre a mesma pra caçar, pode ter certeza que o estouro virá se sua isca jogar ali.

ALFACE D'ÁGUA OU "SANTA LUZIA" (pistia Stratiotes)
Uma grande massa de “Santa Luzia”, pouco promissora por estar solta e descompactada (não oferecendo sombra tão boa, vê-se a água entre as plantas). Observe que o verde claro é a santa luzia adulta, e o verde médio é a Santa Luzia pequena.


Vou começar falando um pouco dessa planta que vive boiando por ai nos açudes e lagoas e que costuma ser a toca de muitas traíras GIGANTES que é a Pistia Stratiotes ou comumente chamada de ALFACE D'ÁGUA  ou "SANTA LUZIA".
  
Essa espécie surgiu na América tropical e é caracterizada pelas flores pequenas e folhas verde-claras de textura aveludada em forma de roseta; alguns peixes a utilizam como alimento. 

O conjunto de raízes abriga alevinos e outros seres vivos que buscam proteção e alimento. Funciona muito bem como berçário. 
é um otimo filtro natural, com suas raízes longas e com finos pelinhos em suas raízes absorvem sujeiras que causam o mau odor na água e também juntam sujeiras maiores em cima de suas folhas. Planta aquática muito rústica e pouco exigente. Muitas vezes torna-se até uma planta daninha, devido à sua rápida multiplicação. 
Aprecia o calor e o sol e deve ser cultivada em água livre de cloro e outros produtos químicos. Como é flutuante não necessita substrato algum. Se a água for fertilizada com matéria orgânica se espalha rapidamente. Multiplica-se por separação das mudas que se formam em torno da planta mãe.

É um ótimo berçário para os alevinos de traíras e juvenil que ficam escondidas entre a "Santa Luzia" se alimentando de pequenos insetos, girinos, filhotes de peixes menores até atingir um tamanho desejável e não ser predado tão facilmente até por outras traíras.
Na vegetação flutuante dominada por “santa luzia” (cicuta), a traíra ficará entre suas raízes e próxima à superfície. Uma grande traíra prefere a “santa luzia” por poder se movimentar livremente entre suas raízes e por este tipo de vegetação dar eficiente cobertura contra a luz que vem de cima. Dessa forma, o predador fica na sombra, imóvel e invisível aos peixes que passarem por ela.

Imagine uma traíra na sombra de uma vegetação bem compacta (“Santa Luzia”)!
Ela estará invisível às potenciais vítimas de sua voracidade, em posição perfeita para surpreendê-las. Não existem lugares bons assim para todas as traíras! As menores são preteridas pelas maiores e podem passar alguma dificuldade em caçar, permanecendo com fome. Isto explica porque as maiores quase nunca batem em iscas mortas, apenas uma traíra com fome comeria um lambari morto (algo morto pode conter uma doença, um veneno, dar “dor de barriga”,...; é arriscado!), enquanto se captura até traíras de “barriga cheia” com “iscas artificialmente vivas (quanto mais movimento, menor o risco)”. Como uma grande traíra prefere caçar no limite entre a vegetação “Santa Luzia” e a água livre (ao menos antes de escurecer de vez, aí ela dá uma volta ou se enfia na vegetação), temos mais uma razão para as maiores quase sempre serem pegas com as artificiais.



AGUAPÉ OU "GIGOGA" ( Eichhornia )

O “aguapé” (gigoga) pode não oferecer sombra tão perfeita, mas pode ser a “ casa ” de uma traíra grande, principalmente se for cercado por “santa luzia” . Na figura acima, o aguapé associado ao capim  “braquiára”, e cercado por pequenas cicutas.



É uma planta infestante de sistemas fluviais e lagunares urbanos. É, por isso, considerada uma planta daninha e aparece frequentemente em canais de irrigação, represas, rios e lagoas. Nos rios da Amazônia, é comida por peixes e mamíferos aquáticos herbívoros. Na ausência destes animais, e em corpos de água eutrofizados, reproduz-se com muita facilidade, entupindo-os rapidamente. A sua introdução nos sistemas de água das cidades brasileiras deve-se justamente a sua característica de absorver e acumular poluentes, "filtrando" a água. Porém, quando em abundância, impede a proliferação de algas responsáveis pela oxigenação da água, causando a morte dos organismos aquáticos.

As Hoplias preferem também lugares isolados como o Aguapé pra descanso por manter escuridão. 



BRAQUIÁRIA AQUÁTICA

A “braquiára” serve de esconderijo aos pequenos, a própria grande traíra, e seu ninho; e embora seja a “casa " de uma grande traíra, quando sozinha acaba sendo um lugar ruim para pescar por não dar sombra eficaz em seus limites e dificultar a movimentação de um grande peixe, que tende a ficar mais para o fundo, ou em local mais raso e favorável. 

Quando denso, o capim “braquiára” assegura escuridão constante, mas longe de nossas iscas. A “braquiára” será pródiga, pois é o esconderijo dos pequenos como um lambari, desde que a profundidade não seja excessiva, e que esteja cercada por alguma “cicuta” (ou outra vegetação flutuante) compacta. A moita de “aguapé” não é muito boa para traíra por sua sombra não ser tão boa (se não tiver a “santa luzia” ao seu redor), mas, assim como o capim “braquiára” , pode servir de apoio para a estabilização da “santa luzia”, ou para amarrar o barco (é melhor na braquiára).

Se houverem dois locais com muita vegetação, procure ficar onde ela for mais densa, pois será mais escuro embaixo dela. Sempre, quanto mais houver vegetação, menos barrenta será a água (as raízes ou qualquer obstáculo à correnteza servem como decantadores, limpando a água e adicionalmente, a água reduz drasticamente sua velocidade, o quê ajuda a assentar as impurezas). Na foto acima, um montão de capim “braquiára”.


NINFÉIA-BRANCA (nimphaea alba)

A ninféia-branca é uma planta aquática adaptada às margens de rios calmos ou lagos, em regiões de clima temperado. Suas folhas são grandes, emersas, semi-flutuantes, cordiformes, coriáceas, brilhantes, de coloração verde-escura na página superior e avermelhada na inferior. Elas são sustentadas por longos pecíolos que ligam-se ao rizoma, carnoso e horizontal, enterrado no fundo do lago. As flores solitárias surgem em longos pedúnculos, são brancas com muitos estames de anteras amarelas. São hermafroditas e podem se autopolinizar, assim como podem ser polinizadas por insetos. O fruto formado é do tipo aquênio, com sementes que se dispersam pela água. 

É uma planta belíssima para adornar espelhos d'água, principalmente em regiões de clima temperado e subtropical, onde outras ninféias mais populares podem não se adaptar muito bem. Durante o inverno, a ninféia-branca perde suas folhas e entra em dormência, auxiliando na iluminação do lago. Na primavera sua folhagem rebrota e ela pode fornecer sombra e abrigo para os animais aquáticos durante os períodos mais quentes. Adapta-se a ambientes bastante poluídos, auxiliando na recuperação ecológica do lago. A ninféia tolera baixas temperaturas e aprecia o clima ameno. 


PRA MIM, LUGARES COM NINFÉIA-BRANCA (COMUM AQUI NO SÍTIO) É UMA DAS MELHORES OPÇÕES PRA PINXO COM PERERECA ARTIFICIAL E SPINNERBAIT E TODA VEZ QUE EU INSISTO NESTAS "AVENIDAS", SEMPRE PEGO UMA OU OUTRA BOA E COM EXPLOSÕES ESPETACULARES A FLOR DÁGUA.

Vista de dentro d'água na visão de um peixe (ou de uma traíra) em um jardim de Niféias-Brancas, onde pode ser a moradia de algumas traíras grandes renitentes e ponto de caça da mesma.





Traíras à espera de alguma presa fácil (pequenos anfíbios e peixinhos) ou descansando. 


A “taboa” não é lugar de traíras grandes , pois não dá boa sombra. Só para ver se ficou claro, não importa o tipo de vegetação (ou outra cobertura qualquer, inclusive troncos, outras vegetações...)! Ela serve apenas de abrigo contra a luz que denunciaria qualquer movimento da predadora.

Suas raízes devem permitir seu livre movimento, considerando também a profundidade do local (tem de haver um pequeno espaço livre sob suas raízes). Se esta vegetação for ou estiver compacta em seu l imite com a água, dará boa sombra e será um bom lugar para a traíra atacar. Observe que a traíra quer se esconder entre as raízes e o fundo, portanto, ela sempre estará bem no cantinho entre as raízes e o fundo. Por isso, é importante avaliar o comprimento das raízes das plantas e a profundidade onde se encontra esta planta!

Como disse um véio profeta: 
Sertanejo gosta de Arrastapé, Home gosta de muié, O saci vive sem Pé, Muié gosta de Muié, A casa do jéca era de Sapé, Chifrudo leva Pontapé, Convidado "mortefome" quer Canapé e por fim TRAÍRA GOSTA É DE AGUAPÉ!!!



Referência de texto e agradecimento: Moacyr Sacramento 
(Manual das Grandes Traíras)