quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Chatterbait, uma isca perfeita para as Hoplias!

Oláááá trem bão, pescatício desse meu sertão brasileeero sô!
Hoje irei postar uma matéria, também da revista Pesca & Cia que eu achei simplesmente DEMAIS e um material muito bacana pra turma que quer começar a pinxar hoplias com esta isca que pode ser o verdadeiro coringa em sua caixa de pesca.

Eu estou simplesmente amando esta isca, tanto quanto amo spinnerbait e frogs, mas estou aprendendo também a utilizá-la pois é uma isca nova em minha vida pescatícia e estou aprendendo cada dia e arremesso que faço com esta pequenina isca. 

Então ótima leitura a todos e vamos aprender um pouco mais sobre esta modalidade de isca.

Linda Hoplias capturada no Chatterbait preto e vermelho

UMA ISCA CRIADA PARA O BLACK BASS, MAS QUE CHEGA PARA FAZER SUCESSO NA PESCARIA DE TRAÍRA!

Uma isca diferente, parte rubber jig, parte spinnerbait e jig head. Assim é a chatterbait, ar­tificial que surgiu nos Estados Unidos em meados do ano de 2000 e logo virou uma mania, afinal, a artificial tinha ajudado alguns pescadores a conseguirem uma boa classificação em uma com­petição de black bass, no Texas.

No Japão, pode-se dizer que essa mania começou com o pescador Katsukata Imae, campeão da JB World. Em 2009, quando essa artificial foi lançada, virou febre praticamente em todos os lagos do Japão e principalmente no Biwa. Em 2010 ele fez algumas alterações no desenho da artificial, melhorando muito o seu rendimento. 

AS CHATTERBAITS FEITAS NO BRASIL PODEM PASSAR POR UMA SÉRIE DE ADAPTAÇÕES, TORNANDO AS MAIS EFICAZES E PRODUTIVAS.

E como a maioria das iscas ar­tificiais de água doce lançadas no mundo são desenhadas com a intenção de pescar o black bass, logo os grandes fabricantes de artificiais começaram a projetar suas chat­terbaits e a melhorar o formato da cabeça, lâmina, anzol e cerdas. Afinal, o mercado de competições, tanto o profissional como o amador, rendem milhares de dólares nos EUA, Japão e Europa. 

Fábio Zurlini com uma bela hoplias pega com a tal isca
Infelizmente, os países da Améri­ca do Sul ainda não tiram proveito da pescaria do bass, a grande maio­ria por não possuírem a espécie, outros, como o Brasil, por não conseguirem enxergar o valor dessa incrível espécie.

RAIO-X DA ISCA
Esta incrível isca é dotada de uma cabeça metálica, similar aos spinnerbaits, uma saia de borracha ou silicone, similar ao rubber jig, e frontal uma lâmina que poderá ser feita de aço inox ou alumínio. Esta pequena chapa, que pode ser reta ou curva, é determinante para sua incrível ação. 


Esta barbela metálica tem a função de imprimir vibração na isca, provocando um grande deslocamento de ação uma ação bastante natural. Além dessas características, o pescador vai ter a seu favor o bri­lho da lâmina e uma proteção aos enroscos, pois, ao nadar, se a artificial colidir com a estrutura, a barbela tende a proteger a ponta do anzol, diminuindo as chances de ficar presa. 

A chatterbait é praticamente um spinnerbait sem o V de arame sem as colheres com uma chapinha de metal na frente que deixa as hoplias enlouquecidas!

Para dar maior vida às chatters, o pescador pode adicionar os traillers. Aqui, uma imensidão de modelos pode ser usada. Eu prefiro as de cauda reta, do tipo paddletail e shads. O trailler ajuda a conseguir uma apresentação mais suave, o que é ideal para dias em que o peixe está mais manhoso.


O Pescador Sidney Henrique (grande pescador e desenvolvedor de chatterbaits e spinnerbaits do Brasil) fazendo uma de suas criações para a reportagem.
Entre os modelos disponíveis no mercado, costumo usar os de peso l/4oz, 3/8 oz e 1/2 oz, de procedência japonesa, como Megabass, Imakatsu e Jackall. Ainda integram meu estojo de pesca os materiais da americana Z-Man e uma artificial made in Brasil, feita pelo pescador Sidney Henrique Candido, de Guaxupé (MG). Ele produz a chatter de forma artesanal, com matéria-prima do exterior e sua ação é similar à das importada. Eu testei e aprovo.


A PRINCIPAL FUNÇÃO DA ISCA É A CAPACIDADE DE VIBRAÇÃO QUE ATRAI OS PEIXES EM TODAS SITUAÇÕES.

NOVO ALVO
Que a chatterbait funciona para o black bass todo mundo já percebeu. Por aqui, no Brasil, os pescadores já utilizam esse tipo de isca para a pesca da traíra. Na primeira vez em que eu a utilizei, tive uma pescaria fantásti­ca, realmente surpreendente. Foram diversas traíras de grande porte em apenas meio período de pesca. Infe­lizmente, pescava sozinho e não con­segui fazer fotos minhas segurando o peixe, apenas do exemplar na grama. 

Esta Hoplias não resistiu a esta tentação de isca

Assim como acontece com o black bass, as traíras sentem a vibração da chatterbait de longe. Como essa artificial é normalmente trabalhada com recolhimento contínuo, quando o peixe sente que ela está passando ao seu lado, ataca de imediato, o que chamamos de ataque por reação. Nessa situação, o peixe primeiro abocanha e depois vai ver se o que mordeu é um alimento ou não, pois ele aproveita a oportunidade para poupar energia, uma vez que a co­mida bateu em sua porta.


COMO E ONDE TRABALHAR
A traíra parece atacar a chatterbait por raiva, tamanha a violência em­pregada na hora do ataque. 

Mas antes de colocá-las em ação, primeiro você deve escolher a cor de sua artificial. Hoje posso falar que as duas cores marcantes para a pesca da espécie são a vermelha e a preta. Isso acontece provavelmente porque elas ficam mais destacadas na cor de água em que costumo pescar, que tende a ser uma água limpa, mas levemente barrenta, comum nos açudes de todo o País. 

Caso o local em que você for pescar tenha a água limpa, uma isca com cerdas transparentes, com dorso mais escuro ou cores escuras e natu­rais (green pumpkin), é quase certo que terá bons resultados. 

Depois da cor, você terá que des­cobrir a melhor faixa de captura, o que é relativamente fácil porque a chatter pode ser trabalhada em qual­quer profundidade, basta variar o seu recolhimento de rápido para lento.


Por esse motivo gosto de usar a chatterbait para explorar regiões do lago que tenham uma maior pro­fundidade, com paus e pedras, ou até mesmo nas laterais da vegetação. 

Geralmente são lugares em que o pescador deixa de pescar por não ter uma isca apropriada que alcance o ponto desejado ou por ter medo de usar um plug que acabe enroscado. A chatterbait vai acabar funcionando como um spinnerbait.

COMO TRABALHAR
Como diz meu amigo e guia Braguinha, não é o pescador que define forma e trabalho da isca, mas o peixe e como ele estará comendo. 

Seguindo esta linha de raciocínio, vario a velocidade de recolhimento ou de caída da isca dentro das se­guintes formas de trabalho: no fundo, com recolhimento contínuo em que a isca percorrerá uma grande área pelo fundo, passando ao lado das estrutu­ras; recolhimento na meia-água, que é realizado com o recolhimento e eventualmente com paradas ou to­ques para capturar o peixe suspenso; e finalmente o rápido logo abaixo da superfície, que é mortal para as traíras. 

Para isso, o recolhimento continuo deve ser acelerado assim que a isca tocar a água e não parar de recolher. Ela vem passando pelas estruturas e, ao bater, a breve pausa que ela faz no nado é o momento em que o peixe costuma atacar. Se você parar de recolher quando estiver passando pela estrutura, é provável que ela enrosque.


TER UM EQUIPAMENTO BALANCEADO É GARANTIA CERTA DE EMOÇÃO NA PESCA DE TRAÍRAS COM CHATTERBAIT

OQUE UTILIZAR
Vou começar pelas varas. Hoje uti­lizo dois modelos acima e 6'. A primeira é uma Cyclone da Megabass, F4-66X para linhas de 8 a 20 lb e ação regular. Uso esse modelo para iscas menores e trabalho mais lento, sem exercer muita pressão na ponta da vara. Com ela trabalho um mais fundo e consigo uma boa vibração. 

Chatterbait e seu trabalho de vibração e atração para as ditacujas

O outro modelo é uma Elseil, F4-6.1IX, também da Megabass. Ela tam­bém é indicada para linhas de 8 a 201b, só que tem uma ação mais rápida que a anterior. Por ela ser mais comprida e rápida, consigo maior distância nos arremessos, trabalhar um chatter mais passado (cerca de 10 g a 14g) e rápido (aquele usado rente à superfície), sem comprometer a fisgada.


Para formar o conjunto, uso carre­tilha de perfil baixo, que é bastante confortável e anatômica, abastecida com linha da marca Sunline. 


Para o recolhimento contínuo, uso a Machinegun Cast de 12 lb. Trata-se de uma linha de náilon, extrema­mente macia, o que ajuda a ganhar distância nos arremessos. Sua cor marrom praticamente a deixa invi­sível nos lagos onde pesco.

Se a intenção for uma linha de res­posta mais rápida para fisgadas pre­cisas e mais sensível para percepção de estruturas em locais mais fundos, uso FC Sniper de 12 lb, que é um fluorcarbono transparente.


Matéria: Revista Pesca & Cia - Fevereiro 2014
Texto: Pescador Fábio Zurlini